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“Empresários de Taiwan querem investir em Portugal”

Energias renováveis, mármores, madeira, azeite e vinhos são os principais sectores de interesse para o investimento de empresários taiwaneses em Portugal, revela-nos o representante oficial da ilha que os Descobridores portugueses chamaram Formosa. Em ano de centenário de Taiwan, Diego L. Chou faz o ponto de situação, em exclusivo para o portal de Inteligência Económica, sobre as relações entre Portugal e Taiwan, sobre a maior aproximação à China e ainda sobre o passado e futuro de um país centenário que deseja ser um parceiro económico de Portugal e que também procura superar as dificuldades trazidas pela grande crise global.

Como estão as relações com Portugal e que possibilidades se abriram, em termos comerciais e políticos, desde que veio, há cerca de um ano, para o nosso país?

Eu realmente fico com a impressão de que o tempo passa muito, muito rápido. E quando uma pessoa pensa que o tempo passa muito rápido é porque passa muito bem. Quando há situações muito complicadas, então o tempo passa muito devagar.

Isto significa que o tempo que tenho passado em Portugal me tem deixado muito feliz. Estou contente por vários factores. O primeiro tem que ver com o trabalho no escritório. Tenho observado que há relações, laços que unem os dois países e que têm aumentado. A nível comercial, por exemplo, nos primeiros sete meses a troca comercial bilateral, tanto de importações como de exportações aumentou 70 por cento, o que é bom, é um fenómeno muito forte e um resultado muito expressivo.

Tenho falado com várias empresas portuguesas nos vários sectores. Por exemplo há uma empresa que planeia exportar vinho para Taiwan por isso contactaram-nos para tentar conseguir potenciais importadores de vinhos em Taiwan. Fui também convidado a visitar uma empresa de construção naval que está interessada em desenvolver uma cooperação com Taiwan .

E mais recentemente um CEO de um banco esteve comigo para ver da possibilidade de ter um parceiro em Taiwan. Uma empresa que vai fazer negócios em Taiwan perguntou a esse banco se tinha algum contacto ou alguma relação privilegiada com um banco taiwanês.Houve também um empresário de exportação de vinho e também de madeira de cortiça que me perguntou sobre possibilidade de exportar. Eu propus que o grupo de empresários portugueses formem uma delegação e nós, enquanto representantes oficiais do Governo de Taiwan, podemos sugerir ao executivo um programa de visita e também perguntar a entidades congéneres de Taiwan a possibilidade de haver uma troca ideias e e procurar formas e cooperação, podendo inclusive formar-se uma aliança comercial.

Na área cultural também temos registado muitas evoluções positivas. Por exemplo, após a minha chegada, o nosso Governo enviou 5 jovens para aprender português. Nunca tínhamos enviado tantos jovens. Isto significa que o nosso governo quer aumentar os nossos laços com Portugal e com outros países lusófonos.

Há interesse das empresas de Taiwan em investir em empresas portuguesas?

Com certeza. Os empresários taiwaneses têm interesse em realizar investimentos em Portugal, em particular nos sectores das energias renováveis, mármores, madeira, azeite, vinhos, entre outros.

E como está a cooperação com os países lusófonos?

Temos relações fortes com Brasil. É o país da América do Sul com que temos a maior troca comercial da América Latina e também temos uma comunidade taiwanesa no país e centenas de empresas lá instaladas. Por isso sempre considerámos o Brasil como um parceiro importante.

Em relação a outros país de língua portuguesa,temos relações diplomáticas muito fortes com São Tomé e Príncipe. O nosso Governo tem cooperado bastante com São Tomé. O projecto mais importante temos é a ajuda à erradicação da malária. Depois do nosso governo ter iniciado esta missão de saúde em São Tomé a percentagem de afectados com malária passou de 47% para 2,3%, um sucesso total que em sido reconhecido pela Organização Mundial de Saúde.

Além disto, temos outros projectos de cooperação com São Tomé, no desenvolvimento agrícola ou na colaboração energética, dados os problemas no país abastecimento de electricidade.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan visitou São Tomé para a inauguração da central eléctrica e o presidente de São Tomé e Príncipe esteve em Taiwan em Outubro e foi convidado especial nas celebrações do dia nacional.

Que expectativas tem para a evolução das relações com Portugal?

Com Portugal, queremos aumentar as trocas comerciais e queremos também fazer crescer o intercâmbio com Portugal no âmbito académico. Este ano vão ter lugar alguns seminários que têm como sede universidades em Lisboa para que os académicos dos dois países possam conhecer-se e trocar ideias sobre muitos campos, por exemplo sobre as relações entre a China e Taiwan. Queremos também reforçar o conhecimento dos portugueses sobre Taiwan, no ano do centenário da implantação da República da China, motivo de celebração.

Vamos analisar a possibilidade de académicos dos dois países se poderem juntar e trocar ideias. Inclusive queremos fazer uma comparação entre República Portuguesa durante 100 anos e a da China durante 100 anos. Acho que é interessante fazer-se esta comparação porque as duas Republicas passaram situações muito semelhantes. Durante os primeiros anos da Republica houve muitos problemas e a situação ficou muito difícil para o Governo Português.

Penso que nas relações entre Taiwan e Portugal há um espaço muito grande por explorar e para aumentar. Temos vontade, o nosso Governo tem vontade. Se houver a mesma vontade do Governo português e também do sector académico, comercial, cultural, então podemos trabalhar juntos, porque, como dizem os argentinos, são precisas 2 pessoas para dançar tango.

Agora que a China e Taiwan são muito amigos espero que o Governo Português mostre mais abertura. O que propomos são relações sustentáveis de âmbito comercial, económico e cultural, não estamos a propor uma relação política com Portugal, por isso não há que haver quaisquer receios nesse campo.

Esperamos também aumentar o intercâmbio entre as populações dos dois países. Em Taiwan, a cada ano, temos mais ou menos 8.5 milhões de turistas que viajam para o estrangeiro. Se uma percentagem de turistas taiwaneses poder vir a Portugal isso é muito bom, em parte por aumentar o conhecimento sobre este país muito bonito, com muita cultura, e ao mesmo tempo ajudariam também a economia portuguesa.

O nosso Governo convidou já muitos deputados a visitar Taiwan e tem reforçado esse convite. Antes convidávamos 4 ou 5, no ano passado convidámos 9, ou seja, cerca do dobro. Esperamos que a visita dos deputados a Taiwan ajude a passar aos portugueses a ideia de que Taiwan é um país amigo e que Portugal pode ter mais relações com Taiwan, que tem a democracia, liberdade e prosperidade. E que depois de terem visto Taiwan possam aconselhar o Governo de que Taiwan é um parceiro de progresso.

Que contributo tem dado o Acordo Quadro de Cooperação Económica, que facilita o comércio entre os dois países e o investimento mútuo, para a melhoria das relações entre Taiwan e China?

Tem sido muito bom, em Junho do ano passado, Taiwan e a China assinaram esse acordo que tem permitido cooperação técnica, comercial, económica e inclusive ambos os governos assinaram já um acordo de protecção de propriedade intelectual, para proteger as marcas mais famosas de Taiwan e também para proteger os empresários da China.

Depois do acordo, a China e Taiwan deram um passo muito positivo nas suas relações. Como resultado desta proximidade em 2010 tivemos cerca de 1 milhão de turistas chineses em Taiwan e é muito bom os chineses poderem visitar Taiwan e conhecer com os próprios olhos a vida do nosso país, com uma sociedade aberta, democrática, livre. É muito bom para que eles saibam como é Taiwan sem ser pela televisão, rádios e jornais. Acho que a chegada de turistas da China a Taiwan ajudará a melhorar a nossa economia e a minorar os efeitos da crise económica que vivemos, tal como outros países. Podemos, no entanto, estar muito contentes porque a taxa de crescimento económico de Taiwan vai foi de cerca de 8.5 por cento em 2010.

O nosso Governo quer aprofundar as relações com a China continental e também esperamos, com este maior intercâmbio do povo chinês com os taiwaneses e trocas comerciais entre ambas as partes, melhorar muito o conhecimento entre os dois países e pôr de lado a grande hostilidade que vivemos durante 60 anos. O entendimento é hoje muito melhor e esperamos uma maior amizade e não hostilidade.

Mas continua a haver alguma tensão nas relações, lembro, por exemplo, o incidente entre as delegações chinesa e taiwanesa no Festival Cinematográfico Internacional de Tóquio. O porta-voz do Governo de Taiwan lembrou que “não se deve utilizar a politica para sabotar a participação de Taiwan num certame cinematográfico internacional”, depois de o chefe da delegação chinesa ao festival ter exigido que Taiwan participasse no festival apenas sob o nome “Taiwan, China” em vez do nome “Taiwan”…

Foi, de facto, um acidente muito lamentável por constituir um obstáculo para um melhor desenvolvimento de relações bilaterais entre a China e Taiwan, mas acho que foi um acidente individualizado, no sentido em que esse chefe de delegação da China, talvez nacionalista em demasia, pensa que se tem de usar o nome Taiwan-China, mas acho que é também um reflexo de que ainda existe muito trabalho para fazer.

Estamos a falar de 2 regimes que durante mais de 60 anos mantiveram hostilidades e agora temos dois anos de cooperação, por isso existe ainda muito trabalho por fazer, mas acho que também é uma oportunidade para os taiwaneses saberem que a autoridade chinesa ainda não tem uma mentalidade suficientemente aberta.

Taiwan, durante 60 anos, já conseguiu uma identidade cultural e até política. E preferimos usar a designação “República da China”, mas a China continental prefere utilizar a palavra China para designar a República Popular da China e dizem que só existe uma China… então o que é que nós somos? Se não somos China, somos Taiwan, então. Avisámos que preferíamos a designação República da China, mas está enraizada a utilização da palavra China para designar a República popular da China também junto de países aliados diplomaticamente. Os países não reconhecem a República da China, por isso se este nome não é reconhecido, não é aceitável, não temos outro caminho a não ser usar o nome Taiwan. Mas, agora que utilizamos, eles dizem: Não! Mas afinal o que somos…?

Esperamos que a China continental possa ter uma mentalidade mais aberta e também esperamos que tenham uma atitude mais tolerante. O Governo de Taiwan e a autoridade da China continental têm a vontade política de melhorar as relações bilaterais, por isso o governo chinês tem de mostrar ao mundo que realmente tem essa vontade, para evitar ocorrência destes acidentes. Vermos na televisão que a nossa delegação foi convidada para assistir a esse festival de cinema e não pode estar presente por causa do nome deixa os Taiwaneses tristes. Antes participávamos sempre com o nome de Taiwan e agora dizem que tem de ser Taiwan-China.

Isto significa que há muito caminho a percorrer. Esperamos que a China mostre a sua dignidade política. Estas coisas são ruído, mas não devem prejudicar o bom desenvolvimento das relações, não devemos dar importância a estes barulhos, porque temos uma meta: um desenvolvimento de amizade, de proximidade, isso é o que esperamos.

Como está Taiwan a lidar com a crise?

O nosso governo também tem feito muito esforço para ultrapassar a crise económica que afecta todo o Mundo. Por um lado, o nosso governo sabe que a China continental se tornou a primeira parceira comercial de Taiwan há cinco anos, então podemos conseguir exportar produtos para a China continental o que ajudará o crescimento económico de Taiwan e ajudará a sair da crise económica. Assinámos muitos acordos incluindo no campo dos direitos e da protecção de propriedade intelectual.

Temos tomado algumas medidas efectivas para aumentar o crescimento e combater a crise, por exemplo, damos estímulos (baixa de impostos a algumas empresas, nomeadamente a empresas dedicadas às energias renováveis) O governo apoia também a participação das nossas empresas em feiras internacionais e tem tomado medidas muitos fortes para resolver o problema do desemprego, porque temos que criar empregos.

Está a fazer alguns projectos de infra-estruturas para criar emprego, por exemplo, modernizar o aeroporto internacional e também criar mais um, para receber mais turistas, de muitos países.

Nosso país está cada vez mais interessado em atrair mais turistas estrangeiros. Apesar de sermos um país muito pequeno e longe, tanto dos EUA como da Europa, o nosso governo pensa que a indústria do turismo é importante, porque os estrangeiros podem ajudar muito a nossa economia. Temos já perto de 5 milhões de turistas anuais.

Com o turismo podemos ganhar dinheiro e também fazer amizades. E isso ajuda a aliviar o problema internacional porque não temos relações diplomáticas com os principais países do mundo. Mas quando os americanos ou os alemães chegam a Taiwan como turistas, descobrem a gastronomia, fazem compras e tornam-se amigos de Taiwan e isso ajuda a sairmos do isolamento internacional. Por isso o governo dá cada vez mais importância ao turismo e queremos aprender com Portugal, porque tem acumulado muitas experiências em trazer turistas estrangeiros e isso é muito importante, por isso esperamos ser possível aconselhar o nosso governo para a possibilidade de enviar uma delegação para conhecer como trabalha o sector do turismo em Portugal.

Taiwan faz este ano 100 anos. Que balanço faz da evolução do seu país?

Estes 100 anos incluem os primeiros 38 anos como parte da China e outros 62 anos como Taiwan.

Na realidade somos uma ilha com muita carência de recursos naturais. Temos pouco território (um terço de Portugal), mas temos muitas pessoas para alimentar, 3 milhões. Temos uma ameaça permanente da China continental e uma ameaça climática. Cada ano chegam a Taiwan 2 ou 3 tufões e às vezes temos terramotos. Tudo isto ressente-se no governo e no povo e temos de recorrer ao nosso melhor esforço e determinação para levantar o país.

A ilha de Taiwan depois da guerra mundial foi muito devastada pelos bombardeamentos dos americanos. Em 49 começaram a reconstruir a ilha, através da reforma agrária e alcançámos um bom desenvolvimento económico. Depois de um período de estagnação , a década de 80 assistiu ao chamado milagre económico em Taiwan.

O nosso governo sempre deu muita importância à qualidade da educação e, por isso, tornou Taiwan numa referência da Ásia nesse campo. Agora temos 160 universidades, os universitários são 1.4 milhões. Os pais dão muita importância à educação dos filhos, podem não ter muito dinheiro, mas fazem os possíveis para educar os jovens, que são activos muito importantes para o desenvolvimento do país. Desde a década de 90 somos uma economia moderna de alta tecnologia e começámos a produzir computadores, periféricos… e agora todo o Mundo considera Taiwan, apesar de ser uma ilha pequena, um gigante tecnológico.

Economicamente estávamos bastante bem, a partir de 1990, com boa educação e bastante dinheiro e, por isso, o povo quis mais participação política e abriu-se uma possibilidade de eleição directa. Depois do milagre económico também conseguimos o chamado milagre político. Somos o país mais democrático e mais livre de toda a Ásia mas, embora a nossa democracia exista há 20 anos, ainda temos muito que aprender. Se antes em Taiwan só se exportava arroz e açúcar e nada mais, agora exportamos produtos inovadores, sofisticados… Agora, não existe pobreza, todas as pessoas podem viver dignamente, têm acesso à educação e podem estudar nas universidades sem problemas. O Governo dá uma educação de boa qualidade e com poucos custos, muito barata.

Como perspectiva o Futuro?

Somos um país próspero, um país livre, um país seguro. Portanto, temos uma identidade própria, politicamente somos Taiwan, ainda que histórica e culturalmente sejamos chineses. Preferimos ser Taiwan agora, no futuro tudo depende de negociações de igualdade e dignidade, entre a China e o nosso governo, mas talvez seja preciso um tempo para negociar, começando por baixar primeiro a hostilidade, depois aumentar o entendimento, a cooperação e a confiança. Então, nessa altura, podemos estudar possibilidades de ter uma negociação política para gerar uma aproximação mais efectiva.

Somos um país livre, com governo democrático e temos de dar liberdade ao nosso povo. Actualmente, cerca de 15 por cento querem a unificação com China, outros 15 querem independência, mas mais ou menos 70 por cento preferem manter a actual situação. Temos de respeitar esta vontade,porque eles são os donos do nosso país e o governo é eleito por eles.E esperamos que a China comece a considerar a possibilidade de dar liberdade ao seu povo porque, com o passar do tempo, as autoridades chinesas têm de enfrentar esse problema. O povo chinês agora tem dinheiro, conhecimento, e tal como Taiwan, a partir de 80, a população quer ser deputada… participar.

Este ano é o centenário da República da China. Temos atravessado um período de turbulência, com dificuldades, mas agora podemos dizer que caminhamos para o futuro com muito optimismo e temos razão para sentir esse optimismo porque tivemos de ultrapassar a ignorância e a falta de liberdade. Mas agora somos livres e prósperos.

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1 Comentário

  1. meu nome é manuel manuel marinho tenho uma pequena empresa de fabricaçao de urnas funerarias em madeira devido a sub carga de porduçao em portugal nos leva a ter que recurrer novos mercados europeos, tendo isso um investimento de modernizaçao de estrutura tecnologica e markting nos mercados europeos entao me leva a voscar parserias de investidores para que entremos nos mercados fortes e com sulidez meus contatos sao 0351 961491759 ou 0351 912563056 so falo portugues ou espanhol .

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