Notas sobre o funcionamento do site

Voltar à disposição inicial da página.

Restaurar

barra login

Lista de Restaurantes a Evitar


São lugares de que deve fugir se não quer ficar mal-disposto ou ter uma indigestão ou um imediato ataque de náuseas. O jornal “i” apresentou este fim de semana uma lista dos restaurantes frequentados pela classe política reinante. Todos bem carotes que isto de viver do Orçamento de Estado dá para tudo. Mas, sobretudo, sítios de que fugir se quisermos que a refeição nos faça bom proveito… Há coisas que podemos tratar em separado mas que não se podem misturar. Por exemplo, cair-nos um ministro numa boa sopa! Mais que uma chatice, seria uma grande infelicidade. Aproveite e saiba onde não pode ir quando para ter uma boa refeição agradável e tranquila. Mas se quiser ir lá como os miúdos vão ao Jardim Zoológico ver uma qualquer espécie e brincar com ela… Eis a lista.

Governos feitos e desfeitos com garfo e faca

A lista de restaurantes frequentados por políticos é longa, mas nunca consensual. São paredes que guardam segredos, discussões mais ou menos acaloradas, conversas de poder, decisões que levantaram ou fizeram cair governos, políticos. Uma espécie de antecâmara oficiosa dos anúncios oficiais. Nestes caminhos há sempre homens discretos, guardiões da história, por vezes mais importantes do que imaginariam, que acolhem os políticos e lhes fazem algumas vontades. Anónimos, ou nem tanto, mas reservas morais, referências mais do que gastronómicas… à sua mesa. Conheça-os

A dois passos do centro das decisões. Café de São bento

O pão Eric Keyser com manteiga dos Açores diz tudo sobre o resto do restaurante. São pormenores que o comandante Miranda Cabral, ao leme do Café de São Bento, não deixa ao acaso. Não há político desta praça que não tenha passado, inicialmente pelo bar que abriu em 1982 e, depois, pelo restaurante, a funcionar há cinco anos. A única excepção parece ter sido Cavaco Silva.

O capitão-tenente Cabral, afastado da Marinha de Guerra, agora “âncora” do Café de São Bento, já não tem memória para tanto:“Desde o Presidente Costa Gomes, o segundo a seguir ao 25 de Abril, até ao actual presidente da Comissão Europeia, passaram cá todos”, garante.

A dois passos da Fundação Mário Soares, mesmo em frente ao Parlamento, o restaurante tornou-se inevitável. Um dos clientes mais antigos, Mário Soares, continua a subir ao primeiro andar (sala de não fumadores), e figuras como Pinto Balsemão, Jaime Gama, Assunção Esteves, os ex e actuais presidentes do PSD e PS, continuam a manter-se clientes do antiquário transformado em espaço vitoriano, que recria os antigos cafés de Lisboa.

As histórias estão guardadas na memória de Miranda Cabral, que está obrigado pelo “sacerdócio da restauração” a guardar segredo.

Apesar da pasta do antigo sócio Luís Frazão Gomes, ex-secretário de Estado das Pescas, é a carne e mais precisamente o bife, que fideliza os clientes. Na semana em que Jeremy Irons passou em Lisboa “foi lá quatro vezes”, conta o empresário. “E o realizador Francis Ford Coppola”, também lá esteve, diz com uma ponta de orgulho.


O homem que fez para a comitiva presidencial. Solar dos Presuntos

No dia da homenagem a Simone, Evaristo Cardoso estava à porta do seu “Solar dos Presuntos” quando saiu do Coliseu a comitiva do Presidente Cavaco Silva.Consta que Maria avisou o marido com um simples “olha que está ali o Evaristo”. Depois de sair do carro para o cumprimentar, Cavaco explicou que foi o único português a parar a caravana presidencial.
Evaristo, ex-cozinheiro da selecção portuguesa, já quase não tem paredes para colocar as caricaturas oferecidas pelos políticos, artistas ou intelectuais que por lá comeram. Saramago ou Ary dos Santos estão lá, com assinatura.

Evaristo Cardoso teve a história dos últimos 40 anos à sua mesa. Com saudade, lembra que Sá Carneiro e a companheira Snu Abecassis jantaram naquele espaço, pouco tempo antes da tragédia de Camarate.

Oempresário não revela pormenores das conversas mas reconhece que naquelas salas “já se fizeram e desfizeram governos”. Mas também há reconciliações como a dos treinadores Augusto Inácio e Yupp Heynckes, que fizeram as pazes “ali naquela mesa”, aponta Evaristo.

Um dia, o ex-presidente Lula da Silva num almoço “à esquerda” recomendou a um célebre político que ouvisse mais o povo. Um político com mais história, na mesma mesa, garantiu ao brasileiro: “Entra-lhe a 100 e sai a 200”. Os nomes ficam para a imaginação.

Sócrates, Marques Mendes, Mário Lino, António Costa são alguns de uma lista interminável de políticos, artistas, personalidades que continuam a sentar-se numa mesa tradicional portuguesa.

O “capital” nas proximidades dos comunistas. Restaurante Santa Maria

Muitos militantes do PCP almoçam na cantina na sede nacional na Rua Soeiro Pereira Gomes. Porém, António José, o proprietário do restaurante a dois passos do edifício “vermelho”, já não se surpreende com a presença do secretário-geral Jerónimo de Sousa ou o histórico Agostinho Lopes. São, garante, “muito afáveis com os empregados e com os clientes que os reconhecem. De belo trato”.

No mesmo espaço, ao almoço, era frequente os comunistas cruzarem-se, na terminologia revolucionária, com “um representante do capital”, antigo presidente da SIBS e primeiro líder do “Novo Banco”:Vitor Bento.

Não há registo de incidentes.

“Escala técnica” deu que falar no Brasil. Eleven

Entre Suíça e Cuba, Dilma Roussef fez escala no luxuoso restaurante “Eleven” e acabou ferozmente criticada na imprensa brasileira. Dias depois, disse que a conta foi paga com dinheiro do seu bolso.

O restaurante é conhecido por acolher políticos ao almoço e ao jantar, mas os responsáveis pelas relações públicas garantem “não poder revelar o nome dos nossos clientes por uma questão de respeito”.

Conhecido por ser o espaço de José Miguel Júdice, o Eleven junta os política e os empresários assiduamente, mas as histórias perdem-se na longa vista sobre o parque Eduardo XVII. O restaurante reitera que “não têm por hábito identificar clientes”.

Costa e Negrão numa coligação improvável. Restaurante Faz Figura

Numa das corridas à Câmara de Lisboa, o então candidato pelo PS, António Costa, reservou uma mesa no “Faz Figura” para 20, 30 pessoas. Precisamente no mesmo dia, a outra candidatura, de Fernando Negrão, pede mais uma mesa com o mesmo número de pessoas. O empresário Pedro Dias ficou com um dilema entre mãos. Falou com a segunda marcação, a do PSD, e acabaram por aprazar o encontro para outro local.

A imensa paisagem sobre o Tejo com Santa Apolónia aos pés não passou despercebida aos políticos e não só. As histórias ficam-se pelas mesas do “reservado” ou numa das três salas restantes.

A polémica decisão da TSU pode ter sido ultimada naquele espaço. É que no dia anterior, Vítor Gaspar e Passos Coelho jantaram aqui discretamente.

Com excepção de Cavaco, todos os ex-presidente de há 40 anos para cá, “fizeram figura”, assim como primeiros-ministros e restantes governantes. Uma das visitas sui generis aconteceu poucos anos depois do 25 de Abril. Yuri Gagarin, o primeiro homem no espaço, aterrou por ali.

Luzes de uma ribalta que ofusca os políticos da praça. Restaurante Bica do Sapato

Os sócios Fernando Fernandes e Manuel Reis já perderam a conta aos políticos, personalidades e figuras públicas que almoçam e jantam naquele espaço frente ao imenso rio Tejo.

Fernando Fernandes não se conforma com os permanentes cortes de trânsito no Terreiro do Paço e já se queixou a um dos seus clientes. “António Costa ouviu, mas continua tudo igual”.

Num restaurante onde já se sentaram Sean Connery ou Catherine Deneuve, o “desfile” político acaba por ser perder nas luzes de outras ribaltas. O outro sócio, John Malkovich esteve cá o ano passado, mas praticamente já só empresta o nome.


Gulbenkian empurrou-os para a avenida. Restauramte Cortador Oh! Lacerda

O sr. Lacerda abriu o restaurante “Cortador” em 1946 na feira popular, onde está hoje instalada a Calouste Gulbenkien. Em frente ao espaço outro empresário da restauração gritava frequentemente “ó Lacerda!”. Ficou restaurante “Cortador Oh Lacerda”, mas atravessou a rua em 1998 e instalou-se na Av. de Berna. Oarménio Gulbenkian foi um dos primeiros clientes. Mais tarde, os ex-ministros Falcão e Cunha e Costa Brás costumavam almoçar juntos filetes de garoupa. Era conhecido pelo bife à cortador, mas a nora do fundador veio da Nazaré disposta a introduzir o peixe na ementa. Um local recheado de memórias, entre outras, de quando os oficiais americanos, antes de ir para a guerra da Coreia, e quando regressavam, passavam a comer “o melhor bife do mundo” (entrecôte com osso), garantiam.
Ofilho do fundador, Artur Pinto e a mulher Regina Lopes, recordam-se de um dia, nos idos de 2000, em que um dos clientes habituais, Fernando Rosas, se sentou com Francisco Louça, Luís Fazenda e Miguel Portas. Daquele jantar, nasceu o Bloco de Esquerda. Ainda hoje, Fernando Rosas sai da Universidade Nova, a meia centena de metros, e almoça no “Oh Lacerda”, mas agora, repastos sem conotações políticas. Por lá passaram o ex-~futebolista brasileiro Pelé, a empresária Fernanda Pires de Lima ou os cavaleiros e forcados que “lidavam” no Campo Pequeno.
Numa parede, entre quadros, toalhetes assinados, e notas do mundo, um cartaz amarelado onde se lê “restaurante recomendado pela TWA”.

O restaurante onde os almoços nunca são grátis. Restaurante O Comilão

À mesa, dois políticos. Ainda no início da carreira, jovens, ambiciosos, conversavam sobre inúmeros assuntos. O dono do restaurante, o viseense Secundino Cardoso, não ouve as conversas nas mesas do seu restaurante, mas reconheceu-os: Pedro Passos Coelho e António José Seguro.

À semelhança dos dois jovens, os líderes das “jotas”, sobretudo do PSD, sempre se sentaram à mesa d’ O Comilão. A mãozinha de vitela, o cozido ou o cabrito foram servidos ao longo dos anos praticamente a todos os políticos que passaram pelo PSD e a muitos socialistas e centristas. Secundino recorda com saudade um trio de clientes habituais: Helena Sacadura Cabral e os filhos Paulo e Miguel Portas.

Desde 1984 que os históricos social-democratas Marques Mendes e Fernando Nogueira mantém uma regularidade de que Secundino se orgulha. A pergunta sobre os nomes dos políticos que frequentam a casa tem uma resposta simples:“Quase todos”.

Se bem que a “tendência” pode cair para o PSD, Mário Soares, Jorge Lacão, Francisco Assis e Inês de Medeiros são o outro lado da balança.

Aliás, o proprietário, sempre que abordado sobre a suas próprias tendências, já tem a resposta na ponta da língua: “Quer a verdade ou que seja agradável?”

As histórias não gosta de as contar, à semelhança dos outros empresários da restauração, mas lembra uma vez em que o director de um hospital marcou um jantar com Marques Mendes. À conta da discussão sobre a revisão constitucional, o jantar aconteceu, mas às quatro da madrugada.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Posts relacionados:

Deixe um Comentário

 


Compression Plugin made by Web Hosting