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Conselhos a António Costa ou recomendações de um eleitor a um eleito


Paulo Casaca . Bruxelas, 2015-11-24

“O novo governo vai confrontar-se com uma situação em que:

1. Não tem estado de graça. Tem que produzir resultados eleitoralmente vendáveis desde a primeira hora; ciente que à primeira escorregadela o vão querer mandar abaixo, opositores e aliados;

2. Não pode tocar em nada do que é a arquitetura orçamental da austeridade;

3. Tem que conseguir resultados imediatos no emprego, nos rendimentos e nas condições de vida.

Quadratura do círculo?

Penso que há uma saída, se soubermos estar atentos às circunstâncias que nos rodeiam. O grande facto político europeu do ano até agora foi a vitória na luta de bastidores do poder europeu do presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi contra as instituições alemãs e a sua suicidária doutrina de austeridade em tudo e para todos (Banco Central alemão e Tribunal Constitucional alemão).

Com essa vitória Draghi está a injetar na economia da zona euro qualquer coisa como 720 mil milhões de euros anuais. Apenas para se entender aquilo de que estamos a falar, o défice público estimado para a zona euro em 2014 foi de cera de 280 mil milhões de euros, ou seja, o que Draghi está a fazer é injetar 2,5 vezes mais dinheiro na economia da zona Euro que o défice existente.

Não admira que a revista Fortune tenha eleito Draghi como a pessoa mais poderosa da Europa, um verdadeiro “Super Mario”.

Quer isto dizer que é possível utilizar a criação de moeda pelo Banco Central como substituto do estímulo orçamental.

Para que isso seja possível, aqui vão alguns conselhos:

1. Esqueçam a conversa do contra, e muito em particular a do contra a austeridade. Esqueçam as propostas absurdas como a de aumentar ainda mais o número de governantes ou as que dizem que podemos ignorar as contas externas;

2. Deixem para as eleições europeias de 2019 o debate sobre o capitalismo financeiro, a ditadura orçamental e outros temas de grande interesse geral mas de nula eficácia para responder aos problemas imediatos;

3. Tenham a coragem de colocar alternativas, explicando onde vão cortar a verba que vão gastar nos programas que considerarem mais importantes sem recorrer a malabarismos de previsão macroeconómica. Deixo aqui uma sugestão: prometam cortar 50% do custo do funcionamento do governo, apelem aos candidatos presidenciais a fazer o mesmo na presidência se forem eleitos e ponham em marcha uma comissão para ver como farão o mesmo em toda a macroestrutura nacional. Quanto a saber onde se deve gastar dinheiro do orçamento, prescindo aqui de juntar sugestões porque o problema é que elas existem em demasia;

4. Leiam atentamente o que o BCE recomenda para o orçamento português de 2016 e ponham a leitura em prática.

5. Deixem de pensar no Mario Draghi como o presidente do sindicato dos banqueiros e homem de mão da Goldman Sachs e entendam que ele, tendo sido exatamente isso até data recente, é agora candidato a Presidente da Comissão Europeia. Para que ele ganhe força na opinião pública europeia ele precisa que o Sul da Europa, e especialmente Portugal, seja um caso de sucesso.

6. O sucesso quer dizer Portugal a crescer sustentavelmente e a gerar emprego, e isso só é possível com o dinheiro do BCE. Em vez de reclamar publicamente, expliquem-lhe privadamente o que precisam para que o dinheiro do BCE possa mais do que compensar a restrição orçamental. Vejam com ele como fazer para que o dinheiro do BCE não vá parar ao bolso dos banqueiros, não seja espatifado em bancos mal geridos, não alimente a bolha especulativa imobiliária e não estimule o endividamento insustentável para o consumo e que, em vez disso, seja antes aplicado a bem da criação sustentável de emprego em Portugal.

7. Construam uma relação de confiança com ele e com os portugueses e arquitetem em conjunto um plano financeiro de estímulo do emprego e do crescimento que passe por cima da oligarquia financeira portuguesa – unicamente interessada em fazer lucros rápidos com o aumento do crédito ao consumo – e que mobilize os agentes económicos dinâmicos.”

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